Indutivismo
De
acordo com o indutivismo,
a ciência começa com a observação. Afirmações a respeito do
estado do mundo, ou de alguma parte dele, podem ser justificadas ou
estabelecidas como verdadeiras de maneira direta pelo uso dos
sentidos. As afirmações a que se chega (vou chamá-las de
proposições
de observação)
formam, então, a base a partir
da qual as leis
e teorias
que constituem o conhecimento científico devem ser derivadas. Eis
aqui alguns exemplos de proposições
de observação:
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À meia-noite de 1º de janeiro de 1975, Marte apareceu em tal e tal
posição no céu.
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O papel de tornassol ficou vermelho ao ser imerso no líquido.
A
verdade de tais afirmações deve ser estabelecida com cuidadosa
observação. Qualquer observador pode estabelecer ou conferir sua
verdade pelo uso direto de seus sentidos. Afirmações desse tipo
caem na classe das chamadas afirmações
singulares.
As afirmações singulares, diferentemente de uma segunda classe de
afirmações que vamos considerar em seguida, referem-se a uma
ocorrência específica ou a um estado de coisas num lugar
específico,
num tempo
específico.
A primeira afirmação diz respeito a uma aparição específica de
Marte num lugar específico no céu num tempo determinado, a segunda
diz respeito a uma observação
específica de um papel de tornassol específico, e assim por diante.
É claro que todas as proposições
de observação
vão ser afirmações
singulares.
Elas
resultam do uso que um observador faz de seus sentidos num lugar e
tempo específicos.
Vejamos
alguns exemplos
simples que podem ser parte do conhecimento
científico:
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Da astronomia:
Os planetas se movem em elipses em torno de seu Sol.
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Da biologia:
Todos os homens são mortais.
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Da química:
Os ácidos fazem o tornassol ficar vermelho.
Estas
são informações gerais que afirmam coisas sobres as propriedades
ou comportamento de algum aspecto do universo. Diferentemente das
afirmações singulares, elas se referem a todos
os
eventos de um tipo específico em todos
os lugares
e em todos
os tempos.
Todos
os planetas, onde quer que estejam situados, sempre se movem em
elipses em torno de seu Sol. Todos os homens morrem, em qualquer
época e lugar. As leis e teorias que constituem o conhecimento
científico fazem todas elas afirmações gerais desse tipo, e tais
afirmações são denominadas afirmações
universais.
A
questão seguinte pode agora ser colocada. Se
a ciência é baseada na experiência, então por que meios é
possível extrair das afirmações singulares, que resultam da
observação, as afirmações universais, que constituem o
conhecimento científico?
Como podem as próprias afirmações gerais, que constituem nossas
teorias, serem justificadas na base de evidência limitada, contendo
um número limitado de proposições de observação? A resposta
indutivista
é que, desde que certas condições sejam satisfeitas, é legítimo
generalizar
a
partir de uma lista finita de proposições de observação
singulares para uma lei universal. Por exemplo, pode ser legítimo
generalizar a partir de uma lista finita de proposições de
observação referentes ao papel tornassol tornar-se vermelho quando
imerso em ácido para a lei universal “ácidos tornam o papel
tornassol vermelho”; ou generalizar a partir de uma lista de
observações referentes a metais aquecidos para a lei “metais se
expandem quando aquecidos”. As condições que devem ser
satisfeitas para tais generalizações serem consideradas legítimas
pelo indutivista
podem ser assim enumeradas:
1.
o número de proposições de observação que forma a base de uma
generalização deve ser grande;
2.
as observações devem ser repetidas sob uma ampla variedade de
condições;
3.
nenhuma proposição de observação deve conflitar com a lei
universal derivada.
Adaptado
de “O que é ciência afinal?”, CHALMERS, A. F.
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